Setembro Amarelo e a Prevenção ao Suicídio

Olá, pessoal, tudo bem com vocês? Esperamos que sim!

O assunto de hoje é algo que vem sendo bastante comentado nos últimos dias: o “setembro amarelo”, mês em que várias ações são

realizadas e que refletimos sobre a prevenção do suicídio.

A origem desse movimento se deu através do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria, que têm dados relevantes sobre o assunto.

O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha permanece ativa o ano todo. De acordo com a Associação Catarinense de Psiquiatria, a cor da campanha – o amarelo – foi adotada devido à história que a inspirou: Um jovem americano de apenas 17 anos de idade, chamado Mike Emme, no ano de 1994, tirou a própria vida em seu Mustang 1968 amarelo. No seu funeral, amigos e familiares distribuíram cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo desespero de Mike, e a mensagem foi se espalhando mundo afora. Mike era apaixonado por seu carro, o Mustang 68 Hardtop, que fora restaurado por ele mesmo e pintado na cor amarelo vivo e brilhante. Dessa forma, os pais de Mike iniciaram a campanha do programa de prevenção do suicídio “fita amarela”, ou “yellow ribbon”, em inglês.

E você, algum amigo ou familiar, já pensou ou verbalizou um pensamento de acabar com a própria vida? Muitas vezes vivemos períodos de grande tristeza, depressão e sofrimento, e deixar de sentir essa dor é a única expectativa que temos. Para quem está nessa situação, o ato de cometer suicídio pode ser uma maneira de aliviar algo que incomoda tanto, a ponto de fazer com que o indivíduo veja o término da vida como solução para a dor.

Dados da Fiocruz e do CVV (Centro de Valorização da Vida) mostram que a cada 45 minutos um brasileiro morre vítima do suicídio, e mais de 1 milhão de pessoas suicidam-se por ano, no mundo todo. São números elevados e assustadores, se pensarmos que esse tipo de morte poderia ser evitada com algumas medidas de prevenção. E cabe aqui comentar, sobre os diversos mitos que permeiam o assunto, e que, muitas vezes, atrapalham a ajuda que poderia chegar até as pessoas que estão dela precisando.

Na maior parte das vezes (96,8%), as causas do suicídio tem relação com transtornos de ordem psiquiátrica, o que vem ao encontro da informação supracitada, onde mencionamos que são mortes preveníveis, tendo em vista que as doenças mentais podem ser tratadas e o paciente ganha muito em qualidade de vida. O site oficial do setembro amarelo (setembroamarelo.com) relaciona a depressão como principal motivador para o suicídio, sucedida pelo transtorno de humor bipolar (THB) e ainda logo após, o abuso e/ou uso nocivo de substâncias psicoativas (drogas) como desencadeantes do suicídio. Pessoas que sofrem desses transtornos mentais, na maioria das vezes enxergam o suicídio como uma tentativa de aliviar as pressões externas, ligadas ao sentimento de fracasso, remorso, culpa, humilhação e tantos outros sentimentos que podem debilitar a saúde mental, e trazendo a sensação de impotência e vulnerabilidade diante de problemas, ofuscando a possibilidade de solução para as adversidades cotidianas.

As estatísticas evidenciam que pessoas do gênero masculino obtêm mais “êxito” nas suas tentativas de suicídio, pois o fazem se utilizando de métodos mais agressivos e fatais, como armas de fogo, por exemplo. Já as mulheres, realizam mais tentativas, porém, estatisticamente morrem menos por suicídio já que usam técnicas menos “eficientes” como ingesta de medicamentos ou cortes pelo corpo com armas brancas.

Conforme os dados estatísticos, evidencia-se que o suicídio é um problema de saúde pública, pois não há classe social, raça ou crença que interfira no desfecho. O que urge em relação à temática é a necessidade de atenção e cuidado com os sinais que, muitas vezes, são emitidos pelas pessoas que enfrentam algum tipo de sofrimento.

Alguns sinais e indicações comportamentais que alguém pode manifestar são sutis pedidos de ajuda e, por isso, é importante desmitificar preconceitos e tabus que se relacionam ao suicídio. Um desses mitos é pensar que quem está verbalizando a ideia de suicídio não tem mais chance de desistir do ato, assim como, acreditar que “quem quer realmente se matar, não dá avisos”. Essas são ideias equivocadas e que dificultam o impedimento do ato.

Estar disponível, oferecer-se para conversar e, principalmente, colocar-se à disposição para ouvir as angústias de outrem são maneiras significativas de ajudar as pessoas no momento de sofrimento intenso. Em uma sociedade de relações frias e superficiais, o velho “ombro amigo” ainda é a forma mais eficaz de ajudar alguém. Estar informado dos recursos disponíveis, como o próprio CVV, que atende a pessoas em situação vulnerável; conversar e indicar acompanhamento psicológico, terapia e, talvez, um tratamento medicamentoso são maneiras de oferecer um auxílio para aquele que não consegue encontrar soluções de forma autônoma.

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Jordana Lectzow

Bacharel e licenciada plena em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal de Pelotas (2005), especialista em Enfermagem do Trabalho pelo Centro Educacional São Camilo (2008), mestre em Biociências e Reabilitação pelo Centro Universitário Metodista IPA (2017). Atualmente é professora na Faculdade de Tecnologia em Saúde (FASAÚDE) e na ACM Cursos Técnicos em Saúde, onde também atua como coordenadora dos cursos de Enfermagem. Tem experiência na área de Enfermagem, com ênfase em Enfermagem Psiquiátrica e Saúde do Trabalhador, atuando principalmente nos temas: esquizofrenia, inclusão laboral e reabilitação.